Resquícios Cromáticos

by O Nó

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1.
2.
Um refúgio distante Ilha no mar aberto O paraíso A espuma na areia Nada pode se ver Até o dia em que eu conseguir Chegar em você Será que esse lugar existe? O vício na ilusão De te ter aqui Nem mesmo preenche o vazio Da vida que avoa Sem um território sequer Em eterno trânsito Norte geográfico Que não se revela O calado do navio Grita ao fundo do mar Estou aqui A te rodear Horas a passar Por favor dê sinal de vida O vício na ilusão De te ter aqui Nem mesmo preenche o vazio Da vida que avoa Sem um território sequer Em eterno trânsito
3.
Vazios virtuais Mistérios reais Paisagem azul Recinto profundo de luz Fenômeno Now Imaterial Panorama comum Firmamento repleto de pontos de luz Paraísos artificiais Revelam segredos guardados no fundo do mar
4.
Sonho Verde 03:56
Negue-se a viver, por ora O amanhã jamais, sim hoje agora Na figura abstrata do tempo Que ao relento É correnteza da vida Que nunca para Atira pro mundo O revólver do sonho Sem regra, futuro Outra dimensão Pobre de quem esquece de tudo Não vê que o presente é passado e futuro
5.
Luz, Clarão 06:27
Sem cumprir o que deseja Palavra cega à espera O corpo repousa e aguarda sua vez De silêncio e de pesar De anseio e de amargar Ressente o que virá Em um estrondo sonoro (um trovão) A noite espelha o dia (luz, clarão) O mundo receoso tenta adormecer Sem os ventos a soprar Sem as horas a passar Só resta observar Fogo que não te fere Fogo que faz viver Fogo que não te fere Fogo que faz morrer Fogo que não te fere Fogo que faz viver Fogo que não te fere Um aparato uma aparição A imagem pura revela-se a mim Sem divisar uma direção O encantamento me leva ao fim Num revés, disparados os sinais Vejo o tempo correndo em torno de si Recuo enfim diante do vão pesar A esperar Vou esperar Sem medo de voltar Um segredo a ecoar Não há vazio a se preencher Nada por se merecer
6.
Recôndito 02:24
Corpo no corpo, recôndito olhar Nesse quarto escuro existe um tempo A parte que passa por entre nós Tão devagar, quase parando Eu não sei Onde posso ver seu rosto aqui A luz da janela reflete tão dentro Dos olhos que fitam os meus Não vale a pena acender a luz Se tudo isso é um sonho De tudo que já Não é ou existirá Já não importa o despertar Sem nem mais sentir O corpo que aqui Esteve e não mais está
7.
O Nó 05:31
"nó", poema de Ana Cristina César: E sobre tudo atento repousa meu intento esqueleto mudo Do túmulo quem ousa erguer-se Do píncaro estrebucha: FETO E em nada ausente levanta minha mente caverna armada Da ânfora quem vai virar-se Do cúmulo despenca: ERMO"
8.
9.
Ínterim 04:36
Se acostumar que a vida não anuncia nenhum final E mesmo que no auge de fevereiro possa parecer que tudo é carnaval Algo ali, talvez a chuva já dissesse algo que, àquele tempo, Fosse visto ou tido como nada mais que natural Tão breve, talvez Mas nunca banal Se adaptar e entender, Que nada é normal E amargo, talvez Mas sempre real Seguir assim, Sem medir ou pesar E nunca foi minha intenção, Esperar da realidade algo como prazo ou duração E tudo que aconteceu Se tornou uma memória sem que eu prestasse atenção, Mas nada vive, nada morre Enquanto isso ainda existe, um retrato de um passado Que não retorna E agora sigo em frente e espero que você também Lembranças que vêm, Vultos do mar Longe de mim, no mundo, em algum lugar E o fim de um verão É sempre igual Por assim dizer, Sem mesmo ter final
10.
Altar 04:32
Saber Por onde andar Viver em paz O que não se hesitou Disse e fez Vida fé quieta a se arquitetar Tudo pode ser seu Descubra de verdade Aquilo que te faz entender e crer Nas noites de frio Nos dias de sol Longe lá no que te fez hoje É tempo de viver O que provém de si Ceder Não ter razão Ser Deus no mundo Rio pedra fogo altar Dez vinte trinta anos atrás O mesmo corpo a se levantar Matéria que se transforma Física quântica Não procure saber É tempo de viver O que provém de si Ceder Não ter razão Ser Deus no mundo Rio pedra fogo altar O medo reluz O melhor caminhar Humano arquiteto de sonhos Não há sequer um vencedor Sempre um nó pra desatar

about

Tiramos conforto de pensar em nossa memória como um arquivo sistemático e rígido como um plano cartesiano, um grid regular de onde acessamos nossas recordações. Mas, nossas memórias se parecem mais com um padrão sem fim nem começo, uma colcha de retalhos que se interligam e sobrepõem de maneiras misteriosas, indiferentes aos nosso anseios. No ato de lembrar reinventamos constantemente: rasuramos os registros do arquivo com novos fragmentos e traçados, deixando resquícios da própria passagem do tempo em nossas recordações. Das frestas entre o real e o recordado, o concreto e o elaborado, emerge um terceiro ente, oculto por detrás de neblinas e clarões, espelhos e vultos: sempre à espreita.

Composto ao longo de 4 anos, o disco foi gravado e produzido pela banda em um longo processo de rearranjos e reinvenções, marcando a descoberta de uma nova sonoridade para o grupo. Em meio a esse processo, a banda escolheu a própria passagem do tempo como tema central da temática do disco, que se debruça sobre o caráter impermanente das memórias. Luz e escuridão, sonhos e espelhos, clarões e neblinas permeiam o universo simbólico do trabalho.

credits

released December 4, 2020

Todas as músicas compostas e produzidas por Alexandre Drobac, Mateus Bentivegna, Matheus Perelmutter e Rodolfo Almeida (O Nó). Gravado no quarto do Matheus entre 2017 e 2019. Mixagem, masterização e co-produção de Otávio Bonazzi, com produção de vozes por André Ribeiro. Letra de "O Nó" escrita por Ana Cristina César (poema "nó" de 1968).

Arte de capa por Rodolfo Almeida e Alexandre Drobac.

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